Wednesday, February 29, 2012

Itália-Estados Unidos

Foi o jogo que acabei de ver. Um bocadinho vergonhoso. Itália perdeu com os Estados Unidos, um país com pouca tradição de futebol. E isso notou-se pois não é que tenham jogado um grande jogo. Mas Itália jogou pior. Fartou-se de marcar golos em fora de jogo e só mais perto do fim quando já estava a perder e os adeptos estavam a perder a paciência se tornou mais agressiva e fez ver algumas boas jogadas de ataque. Os poucos americanos que estavam no estádio ficaram contentíssimos com um momento histórico como este. Ao meu lado as 5 ou 6 adolescentes americanas estavam vestidas com o casaco azul da Itália e pintadas com a bandeira de Itália na cara mas entraram em histeria quando os Estados Unidos marcaram. Outra coisa a destacar foi o clubismo das bancadas. Se a Bancada Sul ficou animada quando viu o ex-jogador da Sampdoria Pazzini a aquecer para entrar, a Bancada Norte gritou imenso por Mimmo Criscito (ex-Genoa) e por Buffon (adepto do Genoa). Mal entrou Pazzini, ouviu-se um grande assobio na bancada Norte mas com o decorrer do tempo o pessoal esquecia o ódio a um ex-sandoriano e já dizia vá hoje podes marcar que estamos a perder. Mesmo com todo o apoio do público incluindo muitas crianças que gritavam "E quem não salta americano é", os Azzurri saíram de Marassi com uma derrota que os faz envergonhar (e também aos italianos que assobiaram no fim).

Roméo et Juliette

de Charles Gounod. Foi o que acabei de ver. Afinal, sem Andrea Bocelli no papel de Roméo por doença. Já domingo ele tinha cantado com dificuldade devido a uma constipação mas hoje cancelou mesmo e foi substituído pelo cantor que já ia fazer o resto das representações. Este substituto não ficou nada atrás mas foi a Juliette que teve a melhor interpretação da noite. Esta longa ópera (cerca de 3h com 5 actos) teve cenários muito bem montados e correu quase tudo muito bem. Digo quase tudo porque no final, Juliette mata-se com o punhal de Roméo quando no fim do 4º acto guarda um punhal nas suas roupas para o caso de ser necessário. E foi necessário quando percebeu que Roméo estava a morrer. Mas em vez de seguir a história não, pega no punhal de Roméo dizendo "que oportuno" e mata-se com esse. À parte isso, nada a assinalar. Ainda assim, continuo a achar que o italiano é a melhor língua para ser usada em óperas. Depois de ter visto A Flauta Mágica que ainda por cima muitas vezes era só falada e não cantada (em alemão) e este Roméo et Juliette em francês, comparando com as várias óperas italianas que vi, penso que as duas primeiras perdem. No caso do francês o exemplo que me lembrei a meio do espectáculo foi o de janela. A tradução dizia finestra (em italiano) e alguém cantava fenêtre. Penso que concordam comigo se acho finestra mais melódico do que fenêtre, tendo em conta que o r italiano não é como o francês. A próxima do calendário seria A Ópera dos 3 Vinténs que queria muito ver mas desapareceu da programação não sei porquê. Viver num país estranho tem disto.
Tal com tem faltar a água no prédio e nenhum vizinho saber resolver a situação. Aparentemente não se deve ligar para a companhia da água, primeiro liga-se ao administrador do condomínio que por sua vez liga à companhia da água transmitindo depois a resposta ao inquilino que ligou que por sua vez deve avisar os outros. That's how things work here.
Ou ainda as dificuldades para comprar um bilhete para um amigável Itália-Estados Unidos. É preciso nome completo, data de nascimento e local de nascimento para poder comprar um bilhete. Ora no meu caso eu tinha dado estes dados a um amigo para comprar por mim mas esquecera-me do local (se bem que no caso de estrangeiros basta meter sempre o país). Na FNAC, chatearam-no imenso porque era preciso o local exacto e quando finalmente ele conseguiu essa informação, a funcionária disse-lhe ah afinal o sistema só aceita o país.. Da mesma forma, dei o meu nome completo com dois nomes e dois apelidos, o que aqui é estranho pois só têm um nome e um apelido e a mesma funcionária cheia de problemas para ter o nome exacto completo bem escrito quando depois afinal na impressão do bilhete as letras eram comidas.. Mais papistas que o papa..

Monday, February 27, 2012

Acabar um curso universitario em Italia

É sempre uma grande festa. Possivelmente porque finalmente ao fim de 7 ou 8 anos os estudantes acabam os cursos. Não há numerus clausus na maior parte dos cursos e faculdades italianas o que significa que entra toda a gente e depois a selecção ocorre com o tempo ou dinheiro. Muitos desistem e por isso quando um filho acaba o curso mesmo que seja aos 28 ou 29 anos, é um enorme motivo de orgulho para os pais. Vêm os pais, avós, bisavós de cadeiras de rodas, sobrinhos, bébés e toda a família que puder assistir. A apenas 10 ou 15 minutos de discussão da tese. No fim, grandes ramos de flores e coroas são entregues ao novo licenciado (ou mestre) que em 90% dos casos a que assisti em várias faculdades tem o máximo da escala e louvor de distinção. Segue-se o champanhe em copos de plástico ainda na faculdade, o aperitivo/festa para os amigos e família, as prendas que os amigos oferecem (flores é o mínimo) e nalguns casos rituais aos níveis das nossas praxes que aqui deixam para o fim. Hoje, no fim de ter assistido a uma discussão de tese que terminou com o máximo e louvor, perguntaram-me: Também festejam assim no teu país? E quando eu expliquei que não ficaram chocados e desiludidos.

Sunday, February 26, 2012

A Itália e os italianos

é o nome da mostra fotográfica da Magnum, conhecidíssima agência de fotografia, que visitei hoje em Turim. A mostra estava bem montada por secções com factos curiosos sobre o país. Como por exemplo que a Itália é o país europeu com o maior número de praias tendo a costa considerada praia passado de 55% a 67% nos últimos 17 anos (há que dizer que muitas "praias" são de seixos ou rochas". Ou que a Itália é o país com maior percentagem de património UNESCO (52%) e que 52% da população vai a museus pelo menos uma vez por ano. Ou que 8% da população italiana (8 milhões de pessoas) fazem voluntariado sendo que a maioria são homens com instrução média alta. Das várias fotos o que mais me marcou foi a parte relacionada com o voluntariado precisamente e a zona final dos retratos em que olhando para as pessoas era fácil identificá-los como italianos. Mas o mais curioso é que nesta parte final havia áudio. Tal como o tema da exposição era a Itália e os italinos desde a unificação e fundação do país, o que se ouvia eram testemunhos de italianos a falar sobre Itália. Penso que não ouvi um sequer a falar bem. Uns diziam que a Itália não era um país, outros que era um país a abandonar, outros lembravam o primeiro artigo da Constituição que diz que a Itália é uma república democrática fundada sobre o trabalho para dizer que nem é república nem democrática e que trabalho não há. Mas todos diziam mal. Esta parte ao contrário das legendas das fotos não era traduzida para inglês. Para não dar má impressão imagino.

Saturday, February 25, 2012

A paixão do futebol

É um estádio inteiro a gritar como se não houvesse amanhã já desde antes do apito inicial depois de 4 derrotas consecutivas. É sofrer um golo logo aos 5 minutos e cantar como se nada fosse. É cantar os 90min e acreditar sempre mesmo que a equipa jogue mal, falhe imensos golos, se esteja a perder 2-0, o treinador se engane nas substituições e o árbitro não marque dois penáltis a favor do Genoa. E é esultar com o mais que merecido empate aos 95'min (7 minutos de compensação). E é ver o capitão a vir praticamente sozinho agradecer ao topo sul e não só ao Norte onde estão as claques (passado um minuto outros 3 jogadores históricos já vieram também ao topo sul). E é ver a criança ao meu lado a cantar o hino quase melhor que eu na primeira vez que veio ao estádio. Não tenho mais palavras.

Thursday, February 16, 2012

I'm a Believer em italiano diz-se Sou mentirosa

Sim, I'm a Believer dos The Monkeys, esse hino do Shrek foi completamente adulterada na sua versão italiana de Caterina Caselli, Sono bugiarda (Sou mentirosa). Do refrão

Then I saw her face, now I'm a believer
Not a trace of doubt in my mind.
I'm in love, I'm a believer!
I couldn't leave her if I tried.

passamos a

Se olho para ti, sou mentirosa.
O amor existe, está dentro de mim.
Amo-te uuu
Sou mentirosa, mentirosa eu sei.

Como podem adivinhar foi já o famoso Mogol a fazer este crime de tradução também.



Outra versão da mesma canção foi feita pelos I Chiodi (Os Pregos) e tem o nome de Accendi una stella (Acende uma estrela) e o seguint e refrão:

Deixei de ver
Acende uma estrela
Ilumina tu
a noite para mim.
Ajuda-me tu, acende uma estrela
por nós, por nós etc etc

Aqui um remix entre a versão deles de 1966 e a de 2007.

Wednesday, February 15, 2012

Agata e Quinzinho de Portugal em versões italianas

Mas em versões de sexo diferente. Isto é Ágata em versão masculina e Quinzinho em versão feminina. Comecemos com o último. É uma música sobre um namorado que a miúda já tem e por isso avisa outro suposto pretendente que terá de ter cuidado pois ainda a semana passada o seu namorado deu cabo de outro. Mas vejam a idade dos protagonistas no vídeo. E o casalinho a andar de mota sem idade para aquilo claramente. Isto chega a roçar o pornográfico.



No caso da Ágata versão feminina, Enzo Romano canta a perda da amada tal como Ágata cantava a perda do amado. No caso de Ágata ela dizia que podia ficar com a casa, com as chaves, com o carro mas não fiques com ele sendo o ele o filho. Neste caso, Enzo queixa-se do mesmo mas diz que ela pode-lhe tirar tudo menos o cão. Sim, o cão leram bem. Num país em que os cães são tratados acima das pessoas quase não é de estranhar. Para vocês "Dá-me o cão"